Salas “vazias” no primeiro dia de aulas

Várias escolas da província de Luanda registaram, na manhã desta terça-feira, um cenário de salas vazias e corredores “abarrotados”, no primeiro dia de aulas do ano lectivo 2019.

Fonte: Angop|

Apesar de o dia estar reservado ao retorno às aulas, centenas de encarregados de educação e alunos fizeram, apenas hoje, a consulta das listas de distribuição de salas.

Esse cenário foi registado na escola Njinga Mbande e no Instituto Médio Normal de Educação Neves e Sousa, em Viana, onde houve intensa movimentação de encarregados de educação, em busca de informações sobre os números e as salas dos educandos.

Apesar do absentismo dos alunos, foi notória a presença em massa dos professores que, mesmo com as salas vazias, assinaram o ponto e mantiveram contacto com os presentes para as primeiras impressões sobre o presente ano lectivo.

O primeiro dia foi reservado às apresentações e noções sobre o programa de aulas.

José da Rosa, professor de Bióloga da 11ª e 12ª no Instituto Médio Normal de Educação Neves e Sousa, de Viana, lamentou o facto de a instituição ter registado a presença de cerca de 50 por cento de alunos, condicionando o primeiro dia de aulas.

Já Adelaide Borges, professora de Francês na mesma instituição, avançou que esperava por mais alunos, uma vez que descansaram durante três meses.

Para este ano, a docente espera que os estudantes sejam mais interactivos e haja maior conexão entre a escola e os encarregados, considerando que a inexistência de parceria entre encarregados e a escola é um dos grandes problemas travados pelo sistema.

Já o professor da escola Njinga Mbande Osvaldo Domingos incutiu a responsabilidade da ausência dos alunos aos encarregados de educação, que a seu ver estão a perder o hábito de mandar os filhos à escola no primeiro dia de aulas.

“Os pais têm de ter autoridade e mandar os filhos para a escola”, frisou.

Relativamente aos caminhos para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem, o director pedagógico da escola do I Ciclo do Ensino Secundário nº 5011, em Viana, Daniel Mondomba, sugere a redução de 24 para 18 os tempos semanais, para permitir que os alunos assimilem melhor os conteúdos transmitidos pelos professores.

O responsável considera pesadas as 24 semanas, por, no seu entender, não deixar margem de manobra aos discentes e docentes para acções de investigação.

Cabinda

Cenário idêntico foi registado na província de Cabinda, com os estudantes de diferentes níveis de ensino a reservaram o dia para manter contacto com as listas e conhecer o período de aprendizagem e respectivas turmas.

O ano lectivo 2019 contará com 10 milhões 608 mil e 415 alunos do ensino geral, representando uma variação de seis por cento em relação ao ano académico de 2018.

O sistema de ensino público conta com 18 mil e 297 escolas, cifra que corresponde a 97 mil e 459 salas de aulas.

O Ministério da Educação conta com 206 mil e 624 professores, para garantir o processo de ensino e aprendizagem.

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